Quanto custa a escritura e o registro de um imóvel em 2026, estado por estado
Por InvestirImóveis ·
Resposta rápida
Num imóvel de R$ 500 mil comprado à vista, escritura e registro custam em 2026 cerca de R$ 3.500 no Paraná, R$ 8.750 em São Paulo e R$ 11.050 em Minas Gerais, pelas tabelas oficiais de cada estado. Na compra financiada não há escritura, mas o registro fica mais caro. O ITBI, imposto da prefeitura, é pago à parte: 3% em São Paulo, Rio e Belo Horizonte.
Quem compra um imóvel paga, além do preço, três coisas que quase sempre pegam de surpresa: a escritura, o registro e o ITBI. As duas primeiras são feitas em cartório e têm preço fixado por lei em cada estado. A terceira é um imposto da prefeitura. Este guia explica cada uma em poucas palavras e mostra quanto custam em 2026 nos estados mais procurados.
O que é a escritura
A escritura pública é o documento que formaliza a compra e venda. Ela é feita no Tabelionato de Notas: o tabelião confere os documentos do comprador, do vendedor e do imóvel e escreve o contrato num livro oficial. Pela lei, a escritura é obrigatória na compra de imóveis que valem mais de 30 salários mínimos, ou seja, em quase todas as compras.
Você pode escolher o tabelionato, inclusive em outra cidade. O preço segue a tabela do estado onde fica o tabelionato, e é o mesmo em todos os tabelionatos daquele estado.
O que é o registro
A escritura sozinha não faz de você o dono. Quem transfere a propriedade é o registro, feito no Cartório de Registro de Imóveis da região onde o imóvel fica. Ali a compra é anotada na matrícula, que é a ficha do imóvel com todo o seu histórico. Enquanto não houver registro, o imóvel continua no nome do vendedor e pode, por exemplo, ser penhorado por dívidas dele. Aqui não há escolha: o cartório é sempre o da região do imóvel.
O que é o ITBI
O ITBI (Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis) é cobrado pela prefeitura sempre que um imóvel muda de dono, e quem paga é o comprador. O cartório só registra a compra depois que o imposto foi pago. A maioria das capitais cobra de 2% a 3% do valor do imóvel. São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte cobram 3%. É, de longe, o maior dos três custos.
Quanto custam escritura e registro em 2026
Os valores abaixo são da compra à vista, com um imóvel e um comprador. Cada estado divide o valor do imóvel em faixas, e o preço sobe de faixa em faixa. Em cada casa da tabela, o número de cima é a soma; embaixo, quanto é da escritura e quanto é do registro.
Arraste a tabela para o lado para ver todas as colunas.
| Imóvel de | R$ 300 mil | R$ 500 mil | R$ 800 mil |
|---|---|---|---|
| São Paulo capital | R$ 6.933 R$ 4.176 + R$ 2.757 | R$ 8.752 R$ 5.427 + R$ 3.325 | R$ 9.920 R$ 6.026 + R$ 3.894 |
| Rio de Janeiro capital | R$ 8.882 R$ 4.567 + R$ 4.315 | R$ 8.882 R$ 4.567 + R$ 4.315 | R$ 10.429 R$ 5.341 + R$ 5.088 |
| Minas Gerais sem o ISS da cidade | R$ 9.808 R$ 4.904 + R$ 4.904 | R$ 11.046 R$ 5.523 + R$ 5.523 | R$ 12.262 R$ 6.131 + R$ 6.131 |
| Paraná Curitiba | R$ 3.092 R$ 1.933 + R$ 1.159 | R$ 3.492 R$ 2.333 + R$ 1.159 | R$ 4.092 R$ 2.933 + R$ 1.159 |
| Rio Grande do Sul sem selo e ISS | R$ 3.187 R$ 1.675 + R$ 1.512 | R$ 4.935 R$ 2.474 + R$ 2.461 | R$ 7.328 R$ 3.870 + R$ 3.458 |
| Santa Catarina com FRJ e ISS | R$ 5.607 R$ 2.808 + R$ 2.799 | R$ 6.114 R$ 3.059 + R$ 3.055 | R$ 6.872 R$ 3.434 + R$ 3.438 |
Valores aproximados, arredondados para o real. Em cada casa: escritura + registro.
De onde vêm os números
- São Paulo: tabelas de 2026 do Colégio Notarial do Brasil, seção São Paulo, e da Associação dos Registradores de Imóveis de São Paulo (Arisp), com o ISS da capital.
- Rio de Janeiro: Portaria 516/2026 da Corregedoria do Tribunal de Justiça, em vigor desde 9 de março de 2026, com os fundos obrigatórios e o ISS da capital. A partir de R$ 561.712, cada faixa de R$ 140.428 a mais acrescenta um valor fixo.
- Minas Gerais: Portaria 8.664/2025 da Corregedoria do Tribunal de Justiça, com a taxa de fiscalização. Algumas cidades somam ISS sobre os emolumentos (o valor que fica com o cartório).
- Paraná: tabela de custas extrajudiciais do Tribunal de Justiça. Ela tem um teto baixo, alcançado já em imóveis de cerca de R$ 50 mil. Somam-se 5% do Fundep, o ISS de Curitiba e, na escritura, a taxa do Funrejus, de 0,2% do valor do imóvel, por isso a escritura sobe com o preço e o registro não. Num imóvel de R$ 500 mil em Curitiba, a escritura sai por cerca de R$ 2.333, dos quais R$ 1.000 são o Funrejus, e o registro por cerca de R$ 1.159: R$ 3.492 no total, bem menos que em São Paulo.
- Rio Grande do Sul: tabela de 2026 da Corregedoria do Tribunal de Justiça, com reajuste de 5,86%. A escritura é calculada sobre a avaliação da prefeitura. Selo e ISS somam pouco.
- Santa Catarina: tabela de 2026 da Lei Complementar 755/2019, com a taxa do FRJ (22,73% sobre os emolumentos) e o ISS da cidade.
Somam-se ainda valores pequenos, como certidões do imóvel e do vendedor, a matrícula atualizada e, em alguns lugares, taxas de arquivamento. Os cartórios são obrigados a deixar a tabela à vista: peça o orçamento antes de marcar a escritura.
Exemplo: apartamento de R$ 500 mil em Belo Horizonte
Compra à vista, em outubro de 2026, de um apartamento de R$ 500 mil em Belo Horizonte:
| Despesa | Onde se paga | Valor |
|---|---|---|
| ITBI (3%) | Prefeitura | R$ 15.000,00 |
| Escritura | Tabelionato de Notas | R$ 5.523,14 |
| Registro | Registro de Imóveis | R$ 5.523,14 |
| Total | R$ 26.046,28 |
São 5,2% do preço, ou seja, o apartamento custa de fato R$ 526 mil. Para quem compra para alugar, esse dinheiro também precisa render: ele entra no total investido e baixa a rentabilidade. Com o CDI em 13,65% ao ano em outubro de 2026, os R$ 26 mil de custos renderiam perto de R$ 3.500 por ano numa aplicação simples, antes do imposto de renda.
Na compra financiada
Quando um banco financia, o contrato do financiamento já vale como escritura, e não é preciso ir ao tabelionato. Em compensação, o cartório faz dois registros: o da compra e o da garantia do banco (a alienação fiduciária, em que o imóvel fica em nome do banco até a última parcela). Por isso o registro custa mais, e a economia total costuma ser pequena. O banco também cobra a avaliação do imóvel e, em geral, uma tarifa de análise.
Descontos previstos em lei
- Primeiro imóvel financiado: na primeira compra de imóvel residencial pelo Sistema Financeiro da Habitação, os emolumentos de escritura e registro caem pela metade. É preciso declarar que é a primeira aquisição.
- Programas de moradia popular: imóveis de programas habitacionais têm valores bem menores, fixados em itens próprios das tabelas.
- Escolha do tabelionato: como o preço da escritura segue a tabela do estado do tabelionato, ele muda bastante de um estado para outro. O registro não muda, porque é sempre feito no cartório do imóvel.
Coloque os custos na conta
Escritura e registro são só uma parte das despesas de compra. Veja também o guia dos custos para comprar um imóvel, com ITBI, financiamento e as despesas que costumam ser esquecidas. Se o imóvel é para alugar, a calculadora de rentabilidade soma esses custos ao preço e mostra quanto o aluguel rende sobre tudo o que você vai colocar. Se é para morar, a calculadora alugar ou comprar compara a compra com continuar no aluguel.
Fontes
Conteúdo informativo e geral, não é recomendação de investimento nem orientação jurídica ou tributária. Regras, taxas e alíquotas mudam e variam por cidade e banco: confirme com o cartório, a prefeitura, o banco ou um profissional.
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