Imóvel de leilão: quanto custa além do lance e quando vale a pena
Por InvestirImóveis ·
Resposta rápida
Some ao lance 5% de comissão do leiloeiro, o ITBI (de 2% a 3%), escritura e registro, as dívidas que o edital passar para você, a desocupação e a reforma. Num apartamento avaliado em R$ 400 mil e arrematado por R$ 260 mil, o custo total chega a R$ 333.300, e a revenda depois de um ano deixa cerca de 10% de lucro, abaixo dos 11,26% que o CDI renderia no mesmo período, já sem imposto (outubro de 2026).
O preço de um imóvel de leilão costuma ficar bem abaixo do valor de mercado, mas o lance não é tudo o que você paga. Sobre ele entram a comissão do leiloeiro, impostos, cartório, dívidas do imóvel, a desocupação se ele estiver ocupado e quase sempre uma reforma. Este guia mostra cada custo, faz a conta completa de um exemplo e compara o resultado com deixar o dinheiro aplicado.
Leilão judicial e leilão de banco
Os imóveis chegam ao leilão por dois caminhos, com regras diferentes:
- Leilão judicial: o imóvel é vendido dentro de um processo para pagar uma dívida do dono (um condomínio atrasado, um empréstimo, um processo trabalhista). Pelo Código de Processo Civil, o lance não pode ficar abaixo do mínimo fixado pelo juiz ou, sem ele, abaixo de 50% da avaliação. A lei permite pagar em parcelas: pelo menos 25% à vista e o resto em até 30 meses.
- Leilão de banco (extrajudicial): o dono parou de pagar o financiamento e o banco retomou o imóvel, sem processo. No primeiro leilão, o lance mínimo é o valor de avaliação. No segundo, o banco aceita o lance que cobre a dívida e, se não houver, pode aceitar a partir de metade da avaliação. Até o segundo leilão, o antigo dono tem preferência para comprar o imóvel de volta pagando a dívida e as despesas. Depois, o imóvel que não foi vendido vai para a venda direta do banco, como os imóveis da Caixa.
Na Caixa, a comissão do leiloeiro de 5% existe nos leilões e na licitação aberta, mas não na venda online nem na venda direta. Alguns imóveis aceitam financiamento e FGTS, e o anúncio diz quais.
Os custos além do lance
| Custo | Quanto costuma ser | O que saber |
|---|---|---|
| Comissão do leiloeiro | 5% do lance | Paga à parte, logo depois do leilão. Não existe na venda direta do banco. |
| ITBI | 2% a 3% na maioria das capitais | O STJ entende que a base é o valor da arrematação, não a avaliação da prefeitura. |
| Escritura e registro | Tabela de cartório do estado | No leilão judicial, a carta de arrematação faz o papel da escritura e só se paga o registro. |
| Condomínio e IPTU atrasados | Variam muito | Dependem do tipo de leilão e do edital. Veja abaixo. |
| Desocupação | Advogado e custas, mais meses sem aluguel | Só se o imóvel estiver ocupado. O condomínio e o IPTU desses meses ficam com você. |
| Reforma | Depende do estado do imóvel | O imóvel é vendido no estado em que está, e quase nunca dá para ver por dentro antes. |
Quem paga as dívidas do imóvel
É o ponto que mais muda a conta, e a resposta está no edital:
- Impostos (IPTU) no leilão judicial: as dívidas anteriores são pagas com o dinheiro do lance. Em 2024, o STJ decidiu que o edital não pode passar essas dívidas para quem arremata (Tema 1.134).
- Condomínio no leilão judicial: a dívida acompanha o imóvel. Quando o edital informa a dívida, o arrematante costuma ter de pagá-la. Quando o edital não fala nada, os tribunais ainda decidem de formas diferentes.
- Leilão de banco e venda direta: o edital ou o anúncio diz quem paga condomínio e IPTU atrasados. Em parte dos imóveis o banco quita, em outros a conta fica com o comprador.
Antes do lance, peça ao condomínio uma declaração do que está em atraso e consulte o IPTU na prefeitura. Assim o número entra na conta, em vez de virar surpresa depois.
Exemplo com os números
Um apartamento em São Paulo avaliado em R$ 400 mil, ocupado pelo antigo dono, arrematado no segundo leilão de um banco por R$ 260 mil (65% da avaliação). O edital passou ao comprador o condomínio e o IPTU atrasados.
| Item | Valor | De onde vem |
|---|---|---|
| Lance | R$ 260.000 | 65% da avaliação, no segundo leilão |
| Comissão do leiloeiro (5%) | R$ 13.000 | paga ao leiloeiro, além do lance |
| ITBI (3% em São Paulo) | R$ 7.800 | sobre o valor da arrematação |
| Escritura e registro | R$ 7.000 | tabela de cartório de 2026 |
| Condomínio atrasado | R$ 6.500 | 10 meses de R$ 650, que o edital passou ao comprador |
| IPTU atrasado | R$ 1.500 | também previsto no edital |
| Desocupação | R$ 8.000 | advogado e custas da ação |
| Condomínio e IPTU até desocupar | R$ 4.500 | 6 meses de R$ 750 com o imóvel ainda ocupado |
| Reforma | R$ 25.000 | pintura, piso, cozinha e banheiro |
| Total | R$ 333.300 | 83% da avaliação |
O desconto de 35% no lance virou um desconto de 17% no custo total. Os R$ 73.300 acima do lance são 28% do valor arrematado.
A conta para revender
Suponha que o apartamento seja vendido 12 meses depois do leilão por R$ 400 mil, o valor da avaliação. Saem 6% de corretagem (R$ 24.000) e o imposto de renda de 15% sobre o ganho, que é a venda menos a corretagem e o que foi pago no lance, na comissão, no ITBI, no cartório e na reforma: R$ 9.480. Ficam R$ 366.520.
Lucro = R$ 366.520 − R$ 333.300 = R$ 33.220 (cerca de 10% em um ano)
Os mesmos R$ 333.300 aplicados a 100% do CDI (13,65% ao ano em outubro de 2026) renderiam R$ 37.534 em um ano, já sem os 17,5% de imposto: 11,26%. Neste exemplo, o leilão perde para o CDI, com muito mais risco e trabalho. Vendido por R$ 420 mil, o lucro sobe para R$ 49.200 (14,8%) e passa o CDI. Vendido por R$ 380 mil, cai para R$ 17.240 (5,2%). E cada mês a mais até vender soma condomínio e IPTU e tira rendimento.
Também desconfie da avaliação do edital: ela é feita para o leilão e nem sempre bate com o preço pelo qual imóveis parecidos são vendidos de fato no bairro. Compare com anúncios e vendas da região.
A conta para alugar
Alugado por R$ 2.000 por mês, com um mês vago no ano (vacância), 10% de taxa de administração e R$ 1.200 de manutenção, o apartamento deixa R$ 18.600 no ano. Sobre os R$ 333.300 do exemplo, é uma rentabilidade líquida de 5,58% ao ano. O mesmo imóvel comprado pelo valor de avaliação, com ITBI e cartório (cerca de R$ 420 mil), renderia 4,43%. O leilão melhora a renda em mais de um ponto, mas o aluguel só começa depois da desocupação e da reforma, e o resultado continua abaixo do CDI sem contar a valorização.
O que conferir antes do lance
- Edital inteiro: tipo de leilão, lance mínimo, comissão, forma de pagamento, prazo para pagar e quem fica com cada dívida.
- Matrícula atualizada: penhoras, hipotecas, outros donos e se a retomada pelo banco foi registrada.
- Ocupação: se o imóvel está ocupado, por quem (antigo dono ou inquilino) e quanto a desocupação deve levar.
- Dívidas: declaração do condomínio e consulta do IPTU na prefeitura.
- Processo: no leilão judicial, leia o processo e veja se há recurso pendente que possa anular a venda.
- Estado do imóvel: veja por fora, converse com o porteiro ou o síndico e reserve dinheiro para a reforma.
- Preço de saída: o preço de venda ou o aluguel de imóveis parecidos no bairro, para não depender só da avaliação.
Leilão envolve regras jurídicas que mudam de caso para caso. Para um lance relevante, vale a leitura do edital e do processo por um advogado.
No InvestirImóveis
Na análise do imóvel, use o lance como preço e informe a comissão do leiloeiro, a reforma e os outros custos, como dívidas e desocupação. A análise soma o ITBI e o cartório, mostra a conta para alugar ou para revender, com o imposto sobre o ganho, e compara com o CDI em três cenários. Para entender cada custo da compra, veja custos para comprar um imóvel e quanto custam a escritura e o registro em 2026.
Perguntas frequentes
Imóvel de leilão vale a pena?
Vale quando o desconto continua grande depois de somar todos os custos. No exemplo deste guia, um lance 35% abaixo da avaliação vira um desconto de 17% depois de comissão, impostos, dívidas, desocupação e reforma. Para revender, esse desconto precisa pagar a corretagem, o imposto e o tempo parado, e ainda ganhar do CDI.
Quem paga as dívidas de condomínio e IPTU do imóvel de leilão?
Depende do tipo de leilão e do edital. No leilão judicial, as dívidas de impostos anteriores são pagas com o dinheiro do lance, e o STJ não permite que o edital passe essa conta ao arrematante. O condomínio atrasado costuma ficar com quem arremata quando o edital avisa da dívida. Nos leilões de banco, o edital diz quem paga cada dívida. Leia essa cláusula antes do lance.
Dá para financiar imóvel de leilão?
Nos imóveis de banco, às vezes sim: a Caixa aceita financiamento e FGTS em parte dos imóveis, e o anúncio de cada um diz se pode. No leilão judicial não há financiamento, mas a lei permite pagar em parcelas: pelo menos 25% à vista e o resto em até 30 meses, se o juiz aceitar a proposta.
Quanto tempo leva para desocupar um imóvel de leilão ocupado?
Nos leilões de banco, a lei prevê uma ordem de desocupação em até 60 dias, dada pelo juiz logo no começo da ação. Na prática, entre entrar com a ação e receber as chaves passam alguns meses, às vezes mais de um ano. No leilão judicial, o prazo depende do processo. Conte esses meses na conta, porque neles não entra aluguel e o condomínio continua chegando.
O ITBI do imóvel de leilão é calculado sobre o lance ou sobre a avaliação?
Sobre o valor da arrematação, pelo entendimento do STJ. Algumas prefeituras ainda cobram sobre um valor de referência maior; nesse caso dá para contestar. Veja mais sobre o imposto em custos para comprar um imóvel.
Fontes
- Lei 9.514/1997: alienação fiduciária e leilão do imóvel retomado pelo banco
- Lei 14.711/2023 (Marco Legal das Garantias): novas regras do leilão de banco
- Código de Processo Civil (Lei 13.105/2015): leilão judicial
- Código Tributário Nacional (Lei 5.172/1966): impostos atrasados na arrematação
- STJ, Tema 1.134: o edital não pode passar ao arrematante os impostos atrasados
- Banco Central, Sistema Gerenciador de Séries Temporais: CDI e juros do financiamento imobiliário (série 20772)
- Lei 11.033/2004: imposto de renda sobre aplicações de renda fixa
Conteúdo informativo e geral, não é recomendação de investimento nem orientação jurídica ou tributária. Regras, taxas e alíquotas mudam e variam por cidade e banco: confirme com o cartório, a prefeitura, o banco ou um profissional.
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